hai-kai Pimenta

 

 

 

 

 

 

Forma de poesia japonesa surgida no século XVI e ainda hoje em voga, composta de três versos, com cinco, sete e cinco sílabas, que geralmente tem como tema a natureza ou as estações do ano. É também a forma poética de métrica e acentuação usada no Brasil, adaptada a partir da matriz japonesa. Também se escreve haicai, haikai ou haiku.

Beijou-me, saiu depressa.
Uma deusa, mas...
que cama é essa?

Num sol de través,
poeira a girar.
Inda há pouco era o luar.

Solfejo chiado.
Cachecol ao lado.
Sucessos do passado.

 

Eucaristia em revés:
onde cabe um
coabitam dez.

 

Bonito, sem craca.
Camisa, terno, gravata...
Pulou a catraca.

Nem sei se a mereço,
mas, se preciso, só desço

no ponto final.

Quatro-sete-três:
qual anjo me levas
aos braços de Marinês.

 

Triunfo baldio:
lá na frente, reluzente,
o banco vazio.

 

 

Custará a moça
- tão bela se move -
um e noventa e nove?

 

Ao confeito que comias,
agora perguntas:
Quantas calorias?

Langorosa mussarela,
sorriu toda bela
ao moço da pizza.

Vendo o corpo nu
da natureba, pensou:
Vá! Vale o tofu.

 

Rubra rua a requeimar.
Um gol evapora

no rádio do bar.

 

Rei fui dos boleiros.
Hoje esquento o banco
do Casados e Solteiros.

Homens no quintal.
De cabeça para baixo,
chovem no varal.

Na falta do beijo
fustiga o garfo
a goiabada com queijo.

 

Se quebrado o telefone?
Não, não me iludo,
simplesmente mudo.

 

Parece que eles não vêm.
Melhor: guardo as velas
Pro ano que vem.

Linda, linda, linda
como nunca houve!

Mas a folhinha de couve.

Bons seios, sensível,
mas é a sétima vez

que fala: a nível.

 

Propus invenções faceiras:
vinho, velas. E ele:
Depois do Palmeiras?

 

Simpático o Escobar,
disse Capitu,
longínquo o olhar.

Moisés, não é duvidar,
mas veja: essas águas
vão mesmo fechar?

Perdão, hic!, é cá
que se celebram as tais
Bodas de Caná?

 

Senhoras, que porre!
Que seja a última vez
que vosso irmão morre.

 

Vai que é tua, Sócrates:
o nome é Xantipo.
Ela não faz o meu tipo.

Tão doce o aspecto,
meigo, serenal...
O nome? Átila, que tal?

Emprenhei, maçada!,
a filha do rei.
Que dia parte a Cruzada?

 

Dúvida de truz:
Óculos, por que os pus
se vou tomar banho?

 

Amor: dancemos no passo,
não do coração,

mas do marcapasso.

Com que destemor,
com que arrojo conduz
aquele andador!

Afagos, hotéis?
Como, se esses dois
são do tempo do merréis?

 

Remédio do coração,
vazia a caixa.
Insistir ou não?

 

A criança descai, tombo.
Ajudá-la ou
dar comida ao pombo?

Se fui importante?
Se tanto um cadáver
indeciso, relutante.

Por que rito tão distinto?
É só o repasto
de um platelminto.