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PrefácioTemo que este livro venha a provocar a ira de todos os seus leitores. Os que amam a ficção acharão esta obra impura, pois há muitos capítulos claramente inspirados na Guerra do Paraguai; já os que gostam de história odiarão este livro pela excessiva liberdade com que recriou tão nobre capítulo da vida pátria.Os sérios dirão que nestas páginas há muito humor; os alegres, que o humor foi pouco... |
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O Rei
Xadrez ou truco?
Truco.
Já jogamos truco ontem.
Que seria da vida se não pudéssemos fazer hoje o que fizemos ontem?
Um bocado mais interessante.
Xadrez é um jogo para damas!
Protesto, Magestade, é o jogo em que mais se aguça o raciocínio.
E para que aguçar o raciocínio?
Para vencer na vida.
Para isso não é necessário raciocínio, mas esperteza, dissimulação e sorte,
como no truco.
No xadrez há um rei, como vós.
E no truco há o blefe, como tu.
O xadrez é mais inteligente.
O truco é mais divertido.
A inteligência é sempre a coisa mais divertida.
A diversão é sempre a coisa mais inteligente.
Talvez seja verdade.
Verdade ou não, jogaremos o truco.
Se é vosso desejo...
É isso ou mando-te de volta para aquele país cinzento.
Sentaram-se. O próprio Rei embaralhou as cartas e chamou dois
ajudantes para formar as duplas. Ora a sorte correu para o lado de uns, ora para o lado de
outros, até que num momento o Rei deu um violento tapa na mesa e gritou para o Diplomata:
Truco!
Vossa Majestade me assusta com esses gritos.
Tens ouvidos muito sensíveis.
Bem, eu retruco.
Grite!
Não preciso gritar, apenas retruco.
Os gritos fazem parte desse jogo. Grite!
Retruco.
Mais alto!
Retruco!
Aceito! Mostra o teu jogo, patife!