A estréia de José Roberto Torero na ficção infanto-juvenil

Zuza é um menino como tantos outros. Adora se reunir com os colegas para uma partida de futebol. Mas, quando chegamos às páginas finais de UMA HISTÓRIA DE FUTEBOL, percebemos que, na verdade, Zuza não é como os outros. Afinal, você conhece algum outro menino que tenha jogado futebol com Pelé?

 

Objetiva, 2001

Janeiro 

Acho que aquele foi o melhor ano da minha vida. E o engraçado é que ele começou como todos os outros: em janeiro. Aliás, janeiro sempre foi o meu mês favorito. Por causa do sol e, principalmente, por cau­sa das férias.
    Eu estava em casa colando figurinhas quando ouvi um "fiiiiiiiu!".
    Era o assobio do Dico, o meu melhor amigo. Assim é que ele me chamava para jogar futebol. A gente tinha inventado esse sinal porque minha mãe, sei lá por quê, preferia que eu estudasse matemática em vez de jogar bola. Então, quando o Dico assobiava, eu pulava a janela do quarto e ia jogar com ele.
   Aí nós saímos correndo para convocar o resto do pes­soal. Cada um dos 11 jogadores do nosso time era um cara muito especial, uma figurinha mesmo. Aliás (eu adoro essa palavra), isso me deu uma idéia. Do lado de cada um dos jogadores do nosso time, vou deixar um espaço para você colocar uma figurinha. Ou fazer um desenho. Ou não fazer nada.
    Primeiro passamos na casa do Azeitona, que era bem gordo e gostava de jogar de goleiro. Ele sempre aparecia comendo alguma coisa. Naquele dia foi um sanduíche com ovo frito, queijo, presunto, alface, toucinho e tomate. De vez em quando um caldo escorria pela mão do Azeitona, mas logo ele dava uma lambida. O Azeitona não desperdiçava comida.
    Depois passamos na casa do Bala. Ele tinha esse apelido porque corria muito rápido feito uma bala.
    Aí fomos chamar o Espaguete, que era o cara mais alto do time. E ele gostava de andar de perna de pau, o que deixava o Espaguete ainda mais comprido.
    Dali demos um pulo até a delegacia para chamar o Tom Mix. Ele não estava preso, é que o pai dele era o delegado da cidade. O Tom Mix jogava com cara de mau. Era o xerife do nosso time.
    O Veludo era sempre o que mais demorava para sair. Ele ficava horas se arrumando. O mais impressionante é que mesmo depois do jogo, o Veludo nunca ficava sujo ou desarrumado.
    Tinha também o Cosme e o Damião. Eles eram gêmeos, iguaizinhos mesmo, e sempre confundiam a gente.
    Depois passamos na casa do Arigatô, que era filho de japoneses. Eu nunca vi um sujeito mais educado que aquele. O Arigatô falava arigatô para tudo, por isso que a gente colocou esse apelido nele.
    O Pé-de-cabra era o mais briguento de todos. Se a gente assobiasse duas vezes, ele já ficava bravo e dizia que ia quebrar o dente de quem assobiasse de novo.
    E, para completar o time, tinha o Dico e eu, que me chamo Zuza. O Dico era muito, mas muuuito bom. E eu era ruim, mas muuuito ruim. Mesmo assim eu gostava de jogar bola.

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